O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa crónica que afeta predominantemente adultos com mais de 65 anos, sendo responsável por mais de 60% dos casos de demência em todo o mundo (OMS – Organização Mundial de Saúde, 2023). Esta condição caracteriza-se pela perda progressiva de neurónios e sinapses, particularmente no córtex cerebral, resultando em comprometimento cognitivo e funcional. Estudos recentes sugerem que os canabinóides, nomeadamente o CBD e o THC, podem oferecer benefícios terapêuticos na atenuação de alguns dos sintomas da doença de Alzheimer.
Sintomas
O primeiro sintoma comummente associado ao Alzheimer é a perda de memória de curto prazo. À medida que a doença avança, os pacientes podem desenvolver uma ampla gama de sintomas adicionais, incluindo:
- Dificuldade em formar frases e recordar palavras;
- Desorientação espacial e temporal;
- Mudanças bruscas de humor e comportamento;
- Perda de motivação e apatia;
- Incapacidade de realizar tarefas do quotidiano e perda de comportamentos aprendidos.
Causas
Estudos indicam que factores genéticos desempenham um papel crucial no desenvolvimento do Alzheimer, com aproximadamente 70% dos casos associados a mutações genéticas hereditárias (Wang et al., 2020). Além disso, factores ambientais e de estilo de vida, como dieta inadequada, níveis insuficientes de endocanabinóides, exposição ao stress e traumatismos cranianos, também aumentam o risco de desenvolver a doença. No cérebro de pacientes com Alzheimer, observa-se a acumulação de placas beta-amilóides e novelos neurofibrilares devido à hiperfosforilação da proteína TAU. Essas alterações estruturais são consideradas responsáveis pela morte neuronal. Recentemente, algumas pesquisas sugerem que a disfunção mitocondrial pode ser um factor chave no desencadeamento da doença, alterando a homeostase celular e promovendo a neurodegeneração (Chen et al., 2022).
Tratamento
Embora os canabinóides sejam conhecidos pelos seus efeitos psicoactivos, estudos recentes sugerem que compostos como o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol) podem oferecer benefícios terapêuticos na atenuação de alguns dos sintomas da doença de Alzheimer. O THC, em doses muito baixas, mostrou potencial para reduzir a produção e a acumulação de proteínas beta-amilóides, um dos principais biomarcadores da doença, de acordo com um estudo da Universidade da Flórida (Cao et al., 2014).
Além disso, o CBD possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, o que pode ser benéfico no combate ao stress oxidativo e à neurodegeneração causados pela acumulação de placas e novelos neurofibrilares. Este efeito neuroprotector pode ajudar a minimizar os danos causados pelos radicais livres, melhorando o equilíbrio celular (Pacher et al., 2020). A capacidade do CBD de reduzir a ansiedade e promover o sono também é particularmente útil em pacientes com Alzheimer, que frequentemente apresentam distúrbios de sono e agitação noturna. O THC, quando combinado com CBD, tem demonstrado eficácia no tratamento desses sintomas, o que melhora a qualidade de vida dos pacientes.
Pesquisas actuais também apontam para o potencial dos canabinóides ácidos, presentes na planta crua ou em extractos de canábis, no alívio dos sintomas do Alzheimer. Esses compostos demonstraram um efeito positivo na redução da neuroinflamação, sugerindo que poderiam ser incorporados como parte de terapias complementares (Campbell e Gowran, 2007).
Perspectivas Futuras
Com o crescente interesse nos efeitos dos canabinóides no sistema nervoso central, novas abordagens terapêuticas para o Alzheimer estão a ser exploradas. A capacidade dos canabinóides de modular o sistema endocanabinóide e interagir com processos neurodegenerativos complexos oferece esperança para tratamentos mais eficazes no futuro. Estudos adicionais são necessários para esclarecer os mecanismos envolvidos e optimizar a utilização de canabinóides no tratamento de doenças neurodegenerativas.
Bibliografia
- Cao, C., Li, Y., Liu, H., Bai, G., Mayl, J., Lin, X., … & Cai, J. (2014). The potential therapeutic effects of THC on Alzheimer’s disease. Journal of Alzheimer’s Disease, 42(3), 973-984.
- Campbell, V. A., & Gowran, A. (2007). Alzheimer’s disease; taking the edge off with cannabinoids?. British Journal of Pharmacology, 152(5), 655-662.
- Chen, Y., Liu, H., & Yuan, L. (2022). Mitochondrial dysfunction and Alzheimer’s disease. Neuroscience Bulletin, 38(2), 273-285.
- Pacher, P., Kunos, G., & Barkey, M. (2020). Cannabinoids and oxidative stress: Therapeutic implications. Pharmacological Reviews, 72(2), 569-636.
- Wang, X., Sun, Y., & Wu, S. (2020). Genetics of Alzheimer’s disease: Review of progress in the past decade. Journal of Alzheimer’s Disease, 75(4), 905-923.