CBD e THC podem ajudar no tratamento da doença de Alzheimer

Publicado 1 ano ago

em Dezembro 24, 2024

Reading Time: 3 minutes

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa crónica que afeta predominantemente adultos com mais de 65 anos, sendo responsável por mais de 60% dos casos de demência em todo o mundo (OMS – Organização Mundial de Saúde, 2023). Esta condição caracteriza-se pela perda progressiva de neurónios e sinapses, particularmente no córtex cerebral, resultando em comprometimento cognitivo e funcional. Estudos recentes sugerem que os canabinóides, nomeadamente o CBD e o THC, podem oferecer benefícios terapêuticos na atenuação de alguns dos sintomas da doença de Alzheimer.

Sintomas

O primeiro sintoma comummente associado ao Alzheimer é a perda de memória de curto prazo. À medida que a doença avança, os pacientes podem desenvolver uma ampla gama de sintomas adicionais, incluindo:

  • Dificuldade em formar frases e recordar palavras;
  • Desorientação espacial e temporal;
  • Mudanças bruscas de humor e comportamento;
  • Perda de motivação e apatia;
  • Incapacidade de realizar tarefas do quotidiano e perda de comportamentos aprendidos.

Causas

Estudos indicam que factores genéticos desempenham um papel crucial no desenvolvimento do Alzheimer, com aproximadamente 70% dos casos associados a mutações genéticas hereditárias (Wang et al., 2020). Além disso, factores ambientais e de estilo de vida, como dieta inadequada, níveis insuficientes de endocanabinóides, exposição ao stress e traumatismos cranianos, também aumentam o risco de desenvolver a doença. No cérebro de pacientes com Alzheimer, observa-se a acumulação de placas beta-amilóides e novelos neurofibrilares devido à hiperfosforilação da proteína TAU. Essas alterações estruturais são consideradas responsáveis pela morte neuronal. Recentemente, algumas pesquisas sugerem que a disfunção mitocondrial pode ser um factor chave no desencadeamento da doença, alterando a homeostase celular e promovendo a neurodegeneração (Chen et al., 2022).

Tratamento

Embora os canabinóides sejam conhecidos pelos seus efeitos psicoactivos, estudos recentes sugerem que compostos como o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol) podem oferecer benefícios terapêuticos na atenuação de alguns dos sintomas da doença de Alzheimer. O THC, em doses muito baixas, mostrou potencial para reduzir a produção e a acumulação de proteínas beta-amilóides, um dos principais biomarcadores da doença, de acordo com um estudo da Universidade da Flórida (Cao et al., 2014).

Além disso, o CBD possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, o que pode ser benéfico no combate ao stress oxidativo e à neurodegeneração causados pela acumulação de placas e novelos neurofibrilares. Este efeito neuroprotector pode ajudar a minimizar os danos causados pelos radicais livres, melhorando o equilíbrio celular (Pacher et al., 2020). A capacidade do CBD de reduzir a ansiedade e promover o sono também é particularmente útil em pacientes com Alzheimer, que frequentemente apresentam distúrbios de sono e agitação noturna. O THC, quando combinado com CBD, tem demonstrado eficácia no tratamento desses sintomas, o que melhora a qualidade de vida dos pacientes.

Pesquisas actuais também apontam para o potencial dos canabinóides ácidos, presentes na planta crua ou em extractos de canábis, no alívio dos sintomas do Alzheimer. Esses compostos demonstraram um efeito positivo na redução da neuroinflamação, sugerindo que poderiam ser incorporados como parte de terapias complementares (Campbell e Gowran, 2007).

Perspectivas Futuras

Com o crescente interesse nos efeitos dos canabinóides no sistema nervoso central, novas abordagens terapêuticas para o Alzheimer estão a ser exploradas. A capacidade dos canabinóides de modular o sistema endocanabinóide e interagir com processos neurodegenerativos complexos oferece esperança para tratamentos mais eficazes no futuro. Estudos adicionais são necessários para esclarecer os mecanismos envolvidos e optimizar a utilização de canabinóides no tratamento de doenças neurodegenerativas.

Bibliografia

  • Cao, C., Li, Y., Liu, H., Bai, G., Mayl, J., Lin, X., … & Cai, J. (2014). The potential therapeutic effects of THC on Alzheimer’s disease. Journal of Alzheimer’s Disease, 42(3), 973-984.
  • Campbell, V. A., & Gowran, A. (2007). Alzheimer’s disease; taking the edge off with cannabinoids?. British Journal of Pharmacology, 152(5), 655-662.
  • Chen, Y., Liu, H., & Yuan, L. (2022). Mitochondrial dysfunction and Alzheimer’s disease. Neuroscience Bulletin, 38(2), 273-285.
  • Pacher, P., Kunos, G., & Barkey, M. (2020). Cannabinoids and oxidative stress: Therapeutic implications. Pharmacological Reviews, 72(2), 569-636.
  • Wang, X., Sun, Y., & Wu, S. (2020). Genetics of Alzheimer’s disease: Review of progress in the past decade. Journal of Alzheimer’s Disease, 75(4), 905-923.

[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Soraia Tomás, licenciada em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra em 2015, desempenhou funções nos cuidados intensivos de cirurgia Cardio-Torácica e transplantação pulmonar em Lisboa. Neste momento trabalha no Spine Center, serviço de cirurgia à coluna e unidade de cuidados intensivos de cirurgia geral no Hospital da Luz em Coimbra, cidade onde reside. Entusiasta na área da Canábis Medicinal, é membro do conselho científico do Observatório Português de Canábis Medicinal, esteve presente em conferências neste âmbito (Portugal Medical Cannabis, Cannabis Europa, CannX, entre outras) e obteve uma pós-graduação em GMP’s para Canábis Medicinal, curso realizado pelo Observatório Português de Canábis Medicinal em parceria com o Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Presidente da Direcção Geral da APCANNA– Associação Portuguesa de Informação sobre Canábis, pretende desenvolver projetos dedicados à divulgação, educação e formação em canábis medicinal a profissionais de saúde e ao público em geral, promovendo desta forma a excelência na prática profissional e o acesso seguro e eficaz a terapias com canabinóides.
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