INCB elege nova presidente Sevil Atasoy, uma conhecida opositora à legalização da canábis

Publicado 1 ano ago

em Maio 29, 2025

Reading Time: 4 minutes

O International Narcotics Control Board (INCB) das Nações Unidas (UN) elegeu Sevil Atasoy como nova presidente, numa sessão realizada a 22 de Maio de 2025, em Viena, tornando Sevil a primeira cidadã turca a ocupar tal posição e a única a ser eleita três vezes para o cargo. Mas, apesar do seu prestígio internacional e das contribuições relevantes na área forense e no controlo de drogas, Sevil Atasoy também enfrenta críticas, principalmente pela sua rigidez no que respeita a substâncias controladas, entre as quais a canábis. 

Criado em 1961 para supervisionar o cumprimento das convenções globais de controlo de drogas, o INCB promove o acesso seguro a medicamentos essenciais e o combate ao tráfico ilícito.

Na abertura da 143ª sessão, a 20 de Maio, o Comité Permanente de Estimativas fez a revisão das quantidades de substâncias controladas solicitadas por governos para fins medicinais, científicos e industriais, garantindo o equilíbrio entre disponibilidade e prevenção de desvios para o mercado ilícito.

No dia 22 de Maio, foram eleitos os novos membros, com mandato de um ano: H. H. Sevil Atasoy (presidente), N. Larissa Razanadimby (primeira vice-presidente), Pierre Lapaque (segunda vice-presidente e Chair do Comité de Estimativas) e Cornelis P. de Joncheere (relator).

Foram também escolhidos os oficiais César T. Arce Rivas (vice-chair do Comité de Estimativas), David T. Johnson (chair do Comité de Finanças e Administração), Sawitri Assanangkornchai, Galina Korchagina, Lin Lu e Jagjit Pavadia como membros do Comité de Estimativas e, em alguns casos, do Comité de Finanças.

O presidente cessante, Prof. Jallal Toufiq, agradeceu a confiança dos membros do Conselho e o apoio dos Estados-Membros ao longo do último ano, destacando a importância da cooperação internacional.

Quem é Sevil Atasoy?

Sevil Atasoy é Professora universitária e uma renomeada cientista forense turca, reconhecida internacionalmente pelas suas contribuições nas áreas de medicina legal, toxicologia, genética forense e políticas de controle de drogas.

Nascida em Istambul em 25 de fevereiro de 1949, Sevil Atasoy completou seus estudos na Deutsche Schule Istanbul e na Faculdade de Química da Universidade de Istambul. Posteriormente, obteve o seu doutoramento em Ciências Médicas na Faculdade de Medicina Cerrahpaşa da mesma universidade, especializando-se em bioquímica. Ao longo da sua carreira académica, foi professora e orientadora de mais de 50 teses de mestrado e doutoramento nas áreas de bioquímica e ciências forenses.

Entre 1980 e 1993, Sevil Atasoy presidiu ao Departamento de Análises Químicas do Instituto de Medicina Legal da Turquia. De 1987 a 2005, foi directora do Instituto de Medicina Legal da Universidade de Istambul. Além disso, actuou como perita em tribunais civis e criminais desde 1980. A sua experiência internacional inclui bolsas de estudo e posições de visitação em instituições renomeadas, como o FBI, o Instituto Criminal da Califórnia e universidades nos Estados Unidos e na Alemanha.

Sevil Atasoy é conhecida pelos seus programas forenses na televisão turca

Atasoy foi membro do INCB nos períodos de 2005 a 2010 e de 2017 a 2022, sendo reeleita para o período de 2022 a 2027. Durante a 143ª sessão da INCB, a 22 de Maio de 2025, foi eleita presidente da Junta para um mandato de um ano, tornando-se a primeira cidadã turca a ocupar tal posição.

 

Além da sua carreira académica e profissional, Sevil Atasoy é conhecida pelo seu trabalho nos Media, onde popularizou a ciência forense na Turquia. Foi narradora da série de televisão “Kanıt” (Evidência), transmitida entre 2010 e 2013, onde apresentou casos reais e explicou técnicas forenses, sempre com a frase “Não existe crime perfeito”. Também apresentou programas como “Crime and Evidence” na CNN Türk e “Bizarre Works” na HaberTurk.

Incluída na lista das 23 cientistas forenses femininas mais famosas do mundo, ocupando a 14ª posição, Atasoy é a única turca a figurar nesse ranking . O seu trabalho contribuiu significativamente para o desenvolvimento de laboratórios forenses e processos de colecta de evidências na Turquia.

Críticas ao posicionamento da nova presidente do INCB

Apesar do seu prestígio internacional e das contribuições relevantes na área forense e controle de drogas, Sevil Atasoy também enfrenta críticas, principalmente por manter uma postura rígida e rigorosa na fiscalização e controle de substâncias consideradas ilícitas. Activistas, investigadores e defensores da reforma das políticas de drogas vêem-na como demasiado fechada e conservadora, ao não reconhecer plenamente os benefícios medicinais e sociais de substâncias como a canábis.

Atasoy tem-se oposto à legalização ou descriminalização de substâncias como a canábis, defendendo a sua proibição, mesmo para usos medicinais, em conformidade com a Convenção Única sobre Estupefacientes de 1961. Essa postura é vista por muitos como um obstáculo ao avanço de políticas públicas baseadas em evidências científicas e direitos humanos. Organizações como a Comissão Global de Políticas de Drogas e a Rede Latino-Americana de Justiça e Drogas têm criticado o INCB pela sua falta de flexibilidade e por não considerar as realidades locais e os avanços científicos na abordagem do uso de substâncias.

Acusações de falta de transparência

O INCB também é alvo de críticas pela sua falta de transparência e mecanismos de participação. Relatórios da London School of Economics apontaram que o INCB é uma das entidades mais fechadas do sistema das Nações Unidas, com processos deliberativos que não são acessíveis a organizações não governamentais ou ao público em geral. Essa falta de abertura é vista como um desafio para a legitimidade da instituição e para a eficácia de suas políticas.

Como membro da INCB, Atasoy está no centro dessas controvérsias. A sua defesa de políticas rigorosas de controle de substâncias pode ser vista como desactualizada por aqueles que advogam por abordagens mais progressistas e baseadas em saúde pública. Essas críticas reflectem um debate mais amplo sobre a eficácia e a justiça das políticas internacionais de controle de drogas e o papel da INCB nesse cenário continua a ser um ponto de discussão crucial nos tempos que correm.

[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

O que fazes com 3€ por mês? Torna-te um dos nossos Patronos! Se acreditas que o Jornalismo independente sobre canábis é necessário, subscreve um dos níveis da nossa conta no Patreon e terás acesso a brindes únicos e conteúdos exclusivos. Se formos muitos, com pouco fazemos a diferença!

Mais Recentes

Análise

Dezembro 4, 2025

A Península Ibérica enfrenta desafios estratégicos como principal polo industrial de canábis da Europa

Ciência, Cultivo, Entrevistas, Internacional, Notícias, Politica, Sociedade

Dezembro 3, 2025

Beatriz Emygdio: “O Brasil tem condições de ser protagonista global no sector da canábis”

Ciência, Internacional, Notícias, Saúde

Dezembro 2, 2025

Canabinóides oferecem nova esperança no combate ao cancro do colo do útero

PUBLICIDADE

Dezembro 2, 2025

Vaporizadores medicinais com certificação da UE chegam ao mercado: estabelecendo um novo padrão regulamentar

Ciência, Internacional, Investigação, Notícias, Saúde, Sociedade

Novembro 29, 2025

EUA: Ensaio clínico recria experiência da vida real e reitera que o uso de canábis reduz o consumo de álcool

Opinião

Novembro 28, 2025

O persistente desacato português às decisões europeias sobre o cânhamo industrial

Nacional, Notícias

Novembro 27, 2025

Portugal: Autoridade Tributária e Aduaneira proíbe comercialização de CBD e THC em produtos de tabaco

Ciência, Internacional, Investigação, Notícias

Novembro 26, 2025

Teste de reflectância hiperespectral consegue prever o teor de canabinóides a partir das folhas da canábis

Relacionadas

Análise

Dezembro 4, 2025

A Península Ibérica enfrenta desafios estratégicos como principal polo industrial de canábis da Europa

Ciência, Cultivo, Entrevistas, Internacional, Notícias, Politica, Sociedade

Dezembro 3, 2025

Beatriz Emygdio: “O Brasil tem condições de ser protagonista global no sector da canábis”

Ciência, Internacional, Notícias, Saúde

Dezembro 2, 2025

Canabinóides oferecem nova esperança no combate ao cancro do colo do útero

PUBLICIDADE

Dezembro 2, 2025

Vaporizadores medicinais com certificação da UE chegam ao mercado: estabelecendo um novo padrão regulamentar

Ciência, Internacional, Investigação, Notícias, Saúde, Sociedade

Novembro 29, 2025

EUA: Ensaio clínico recria experiência da vida real e reitera que o uso de canábis reduz o consumo de álcool

Opinião

Novembro 28, 2025

O persistente desacato português às decisões europeias sobre o cânhamo industrial