O Infarmed — Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde I.P., aprovou mais três preparações de canábis, que em breve estarão disponíveis nas farmácias portuguesas. As novas ACMs – Autorizações de Colocação no Mercado são todas variações do Hexacan, da Portocanna, predominantes em Delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), com níveis entre 20 e 25% deste canabinóide.
A Portocanna, que já comercializava estes produtos noutros países, como o Reino Unido, consegue assim autorização para os vender em breve nas farmácias portuguesas. Com alto teor de THC, os três produtos agora aprovados têm o mesmo nome comercial, Hexacan. Dois são flores para vaporização e o terceiro é solução sublingual.
Segundo o Infomed (a base de dados de medicamentos de uso humano do Infarmed), as composições destas três novas ACMs são as seguintes:
1 – Hexacan – Hexa 01 Alto THC 22% — Delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) + Canabidiol (CBD), flor de Cannabis sativa Substância de origem vegetal para inalação por vaporização — 22% + <= 1.0 %
2 – Hexacan – Hexa 01 Alto THC 25% — Delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) + Canabidiol (CBD), flor de Cannabis sativa Substância de origem vegetal para inalação por vaporização 25% + <= 1.0 % Portocanna S.A.
3 – Hexacan – Hexa 01, Extrato Oleoso de Canábis, THC 20% — Delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) + Canabidiol (CBD), flor de Cannabis sativa Solução sublingual 20 % + <= 1.0 % Portocanna S.A.

De acordo com Helena Correia, farmacêutica e consultora especializada em assuntos regulamentares, licenciamento e qualidade na área da canábis, “a solução sublingual é uma forma farmacêutica que permite que uma substância activa, através da via sublingual, seja absorvida directamente para a corrente sanguínea” e, como tal, tenha um efeito mais rápido comparativamente com a via de administração oral. “É a primeira preparação à base da planta da Canábis a ser aprovada para administração por via sublingual em Portugal”, explicou ao CannaReporter®.
Com estas três novas ACM’s, os pacientes portugueses têm agora 14 opções diferentes de preparações derivadas da canábis para ajudar no tratamento das sete patologias definidas pelo Infarmed, em diferentes proporções de canabinóides e formas de administração (flores e soluções orais).
Contudo, será ainda necessário algum tempo até elas estarem efectivamente disponíveis para prescrição e à disposição dos pacientes nas farmácias portuguesas, pois o preço ainda terá de ser negociado e aprovado pelo Infarmed. Recorde-se que, paradoxalmente, e de acordo com o último relatório do Infarmed, o número de prescrições diminuiu de 1157 em 2023 para 757 até ao 3º trimestre de 2024, caindo cerca de 33%.