Organizada pela Associação Islandesa do Cânhamo, a segunda edição da conferência Hampur fyrir Framtíðina (Cânhamo para o Futuro) vai ter lugar nos dias 11 e 12 de Outubro, na localidade islandesa de Kópavogur, em Reiquiavique.
O evento, dedicado a “explorar o vasto potencial do cânhamo industrial”, vai cobrir todos os âmbitos deste produto agrícola, desde os temas que preocupam a indústria até às oportunidades de mercado, passando inevitavelmente pelo seu uso como canábis medicinal, as políticas sobre drogas e a legalização.

“O nosso objetivo é avançar com a legalização da canábis medicinal [na Islândia] e promover o debate sobre as possibilidades, benefícios e oportunidades de mercado tanto no setor do cânhamo como da canábis, reunindo líderes da indústria, decisores políticos, investigadores, profissionais e entusiastas”, disse ao CannaReporter Thorunn “Tóta” Jonsdottir, co-fundadora do evento.
Oradores Internacionais
O primeiro dia será dedicado à indústria e o segundo à canábis medicinal. Entre os cerca de quinze oradores que vão partilhar as suas experiências e conhecimento durante estes dois dias, encontram-se figuras nomes como Stuart Titus (PhD), pioneiro no processo de implementação e normalização do uso de produtos à base de CBD no estado da Califórnia; Jeff Lowenfels, autor da coleção de livros “Teaming With… Microbes / Nutrients / Fungi: The Organic Grower’s Guide”, Neil Woods, um ex-agente undercover britânico e atual ativista pela reforma das políticas de drogas, colaborador de vários meios e autor de vários livros, entre os quais as suas famosas memórias, “Good Cop Bad War”; Pavel Kubú, um dos cérebros por trás da iniciativa Plasma for People (P4PTechnology), que investiga as possibilidade de criar plasma sanguíneo a um preço acessível a partir de cânhamo; ou o químico Lumír Ondřej Hanuš, uma das grandes referências da investigação com canabinóides, que trabalhou com o professor Raphael Mechoulam na Universidade Hebraica de Jerusalém desde praticamente o início, tendo sido, junto com Anthony Devane, um dos investigadores que identificaram a estrutura molecular do endocanabinóide Anandamida, em 1992.
Pode ver a lista completa de oradores aqui.

Arte sem risco de adição
Em paralelo, os visitantes vão ter a ocasião de ver a exposição itinerante “Debunking Green: Art – Without Addiction Potential”, uma exposição de Maren Krings, ela própria uma das palestrantes no programa e autora do livro “H is for Hemp”, que incide sobre “o potencial do cânhamo para criar um reset sistémico”, dando resposta a muitos dos problemas ambientais e sociais que enfrentamos atualmente devido às alterações climáticas e outros assuntos que impactam as sociedades a nível global.
Aplicando o conhecimento acumulado durante os cerca de oito anos de viagens pelo mundo em busca daqueles que trabalham com a planta do cânhamo, esta fotógrafa alemã analisou o impacto que a fotografia e arte têm no meio-ambiente, resultando num processo que alia a investigação e a criatividade. Através de um livro de esboços de grandes dimensões e de um vídeo com um cariz “quase-científico”, a artista apresenta diversas impressões fotográficas feitas a partir de folhas e partes da planta, e um vídeo no qual documenta o seu processo criativo durante a sua pesquisa por formas de impressão ambientalmente sustentáveis. “’Debunking Green’ desafia os artistas e os profissionais da indústria a usar também a sua criatividade em prol do nosso bem-estar ambiental e global”, lê-se no texto de apresentação da exposição.