Numa altura em que o sector da canábis em Portugal enfrenta desafios regulamentares e operacionais relevantes, várias empresas da indústria juntaram-se para criar uma entidade que possa representar os seus interesses. Assim nasceu a APIC – Associação Portuguesa da Indústria de Cannabis, que ontem reuniu cerca de 13 empresas licenciadas pelo Infarmed na primeira Assembleia Aberta da organização sem fins lucrativos, no Hotel Altis, em Lisboa. Criada com a missão de “representar a indústria junto das entidades reguladoras e decisores políticos, assegurando um diálogo contínuo e construtivo” a APIC pretende, essencialmente, proteger os seus interesses e impulsionar a indústria da canábis medicinal em Portugal e a nível internacional.
“Acreditamos que a união e articulação entre os operadores será decisiva para garantir a sustentabilidade e o crescimento da indústria da canábis em Portugal. A constituição da APIC representa um passo fundamental para o fortalecimento e a afirmação da nossa indústria”, referiu Jorge Godinho, CEO da Herdade das Barrocas e um dos fundadores da Associação, durante a primeira Assembleia Aberta, para a qual o CannaReporter® foi convidado. O empresário salientou ainda o momento “complexo” que a indústria atravessa em Portugal, onde estão a acontecer transformações “profundas”.
Resultado do esforço e alinhamento de várias empresas do sector, que ainda não tinham qualquer canal oficial para as representar junto das autoridades e do governo, a associação foi formalmente constituída no passado dia 9 de Julho de 2025, com o objectivo de consolidar uma voz forte e representativa para a indústria da canábis em Portugal.
De acordo com a associação, a APIC nasce com uma missão clara e abrangente:
- Representar a indústria junto das entidades reguladoras e decisores políticos, assegurando um diálogo contínuo e construtivo;
- Fomentar a cooperação e partilha de conhecimento entre as empresas do sector;
- Promover as melhores práticas, qualidade e inovação na produção e transformação;
- Apoiar tecnicamente os associados e defender os interesses comuns perante instituições nacionais e internacionais;
- Contribuir para o desenvolvimento sustentável da indústria e para a valorização da canábis medicinal como sector estratégico para Portugal.
A agenda da Assembleia Aberta passou pela apresentação oficial da APIC, o enquadramento da missão, objectivos, áreas de intervenção e um debate aberto com as empresas presentes para ouvir sugestões e contributos.
“Juntos, podemos transformar os desafios em oportunidades e posicionar Portugal como uma referência europeia na canábis medicinal”, referiu Godinho, que acrescentou: “Os nossos interesses legítimos são bastante específicos e é necessária uma representação institucional dos nossos interesses e do nosso pensamento junto das autoridades. Não há outro objectivo que não seja impulsionar esta indústria. Existir uma voz que beneficie todos é um sinal de maturidade do sector”, referiu.
Elsa Pereira, sócia-gerente de uma das empresas fundadoras da APIC, sublinhou que a criação da associação surge da urgência sentida por todo o sector em estabelecer uma representação conjunta, forte e legítima perante as entidades reguladoras e os decisores políticos. “A ausência de um canal institucional de diálogo tem deixado as empresas expostas, vulneráveis e isoladas nos momentos de maior pressão. A criação da APIC é uma resposta estruturada a essa necessidade colectiva. Precisamos de unir esforços, partilhar conhecimento e defender com clareza os interesses de um sector que tem um papel cada vez mais relevante na economia, na saúde e na inovação.”
A APIC espera agora que a maioria das empresas do sector se possa juntar à associação, pois só assim poderá ter maior representatividade e influência junto das autoridades e decisores políticos. Com o website oficial ainda em desenvolvimento, o melhor canal para obter mais informações é, por enquanto, o email: geral@apicportugal.pt
Pode ler aqui os Estatutos da APIC na íntegra:
APIC_ESTATUTOS