Portugal: Empresas de canábis confirmam buscas da Polícia Judiciária, mas isso não significa que sejam ‘culpadas’

Publicado 11 meses ago

em Maio 20, 2025

Reading Time: 4 minutes

Portugal acordou esta manhã com a notícia de uma mega-operação da Polícia Judiciária (PJ) nas empresas licenciadas para operar com canábis medicinal. Várias instalações foram alvo de buscas no âmbito da operação “Erva Daninha” em todo o continente e na Ilha da Madeira, mas isso não significa que todas estejam, necessariamente, em situação irregular. O CannaReporter® está a tentar contactar algumas delas.

Cerca de 300 inspectores, 48 peritos e 24 seguranças da PJ, além de seis magistrados do Ministério Público e três juízes estiveram a efectuar buscas, apreensões e, para já, quatro detenções, não sendo ainda público quem foi detido.

As televisões portuguesas estão a transmitir notícias com imagens de várias empresas portuguesas que foram visitadas pela PJ (como a CannaForest ou a Herdade das Barrocas), mas isso não significa que as mesmas sejam culpadas ou que estejam em situação irregular.

A Herdade das Barrocas, que tem sede em Estremoz, no Alentejo, confirmou esta tarde ao CannaReporter® que também foi visitada de manhã pela Polícia Judiciária. Ao telefone, Jorge Godinho, CEO da empresa, mostrou-se tranquilo com a operação: “sim, nós também fomos visados pelas buscas da PJ, mas não aconteceu nada e praticamente nem falei. Quiseram reunir informação, ver várias coisas, como registos da contabilidade, vendas a clientes, etc.”, explicou. Godinho afirmou ainda estar “muito tranquilo” e disponível para colaborar activamente com as autoridades. “Fornecemos toda a informação que a PJ solicitou e estamos muito tranquilos. Somos uma empresa organizada, que sempre teve um comportamento de rigor e exigência”, referiu.

Outra empresa visitada foi a CannaForest, no Fundão. Liderada pela luso-francesa Teresa Faísca e pelo francês Christophe Bourier, a empresa tem também estado a aparecer nas imagens da operação que estão a passar nos canais de televisão portugueses, à semelhança da Herdade das Barrocas.

As instalações da Canna Forest, no Fundão

O CannaReporter® conseguiu falar com Christophe Bourier, CFO da CannaForest, que confirmou que a PJ esteve nas instalações da CannaForest todo o dia. “Sim, é verdade que a Polícia Judiciária esteve cá e ainda está cá [às 19:00 de terça-feira], mas estão a preparar-se para sair”, confirmou Bourier. O CFO da CannaForest disse ainda que foram facilitados às autoridades todos os documentos requisitados: “Demos tudo o que nos pediram, desde relatórios de contabilidade a certificados de importação e exportação. Da nossa parte não há qualquer problema, os certificados são emitidos pelo Infarmed e tudo está de acordo com a inspecção feita pelo Infarmed. O transporte também é feito por uma empresa certificada, por isso não tivemos qualquer problema em colaborar e mostrar tudo”, referiu Bourier.

A CNN refere ainda uma empresa chamada “Sofex, do Sardoal”, mas esta empresa não tem qualquer licença emitida pelo Infarmed e “uma empresa em Montenovo da Fataca, em São Teotónio, Odemira”, que o CannaReporter® ainda não conseguiu verificar.

A confusão que a Imprensa generalista faz quando fala de canábis

Além de estarem a transmitir imagens a partir de várias empresas de canábis medicinal, mesmo que elas não estejam em situação irregular (o que pode afectar a sua imagem e a confiança do público na marca), os meios de comunicação social generalistas estão a confundir a operação “Erva Daninha” com a legalidade e os limites do THC.

A RTP anunciou que “a Judiciária suspeita de que parte da droga seria adulterada com níveis superiores de THC e era desviada para tráfico de estupefacientes”, fazendo crer que o problema são níveis proibidos de THC, quando não existem limites de THC na canábis medicinal (apenas no cânhamo industrial existe o limite de 0,3% de THC, mas o cânhamo não tem nada a ver com este caso).

Por seu lado a SIC noticiou e escreveu: “Ao que a SIC apurou, em causa estará o transporte de canábis com uma percentagem de THC – a principal substancia psicoativa da planta – superior ao permitido por lei, que é de 2%, fora do controlo de mercadorias”, revelando confusão e um enorme desconhecimento sobre o que é canábis medicinal e a sua regulamentação.

Logo de manhã, também a CNN avançava que “sob a fachada dos fins medicinais, numa área com regras de exportação e venda apertadas, há suspeitas de tráfico de haxixe em larga escala, para o tradicional consumo no mercado ilegal e não para fins medicinais”. Além disso, a CNN também referia que uma das empresas visadas era a Curaleaf, no seguimento de uma confusão com menção à Terra Verde, onde Ângelo Correia teve uma participação, mas já publicou um desmentido e pedido de desculpas à Curaleaf.

Estes são apenas alguns exemplos da confusão que se multiplica pelas notícias de vários orgãos de informação generalistas nacionais quando se trata de canábis.

A informação sobre esta operação irá ser actualizada nas próximas horas e dias, consoante formos recebendo mais dados e conseguindo fazer mais contactos.

[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Vencedora dos Prémios Business of Cannabis na categoria “Jornalista do Ano 2024”, Laura foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação do 21º Governo Português. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “Say What? Lisbon” @saywhatlisbon. Co-fundadora e Editora do CannaReporter® e coordenadora da PTMC – Portugal Medical Cannabis, Laura realizou o documentário “Pacientes” e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.
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