Portugal: Instituto Politécnico de Portalegre une-se a várias empresas para abrir curso de produção de canábis medicinal

Publicado 1 ano ago

em Abril 2, 2025

Reading Time: 4 minutes

O Insituto Politécnico de Portalegre (IPP) anunciou a abertura de um curso dedicado à produção de canábis medicinal em estufa, já no próximo ano letivo. Trata-se de uma formação técnico-profissional superior CTeSP de nível 5, a realizar-se em dois anos (4 semestres), dedicada às “Tecnologias de produção e processamento de Canábis Sativa”, e arranca no ano letivo 2025/26 na Escola de Biociências de Elvas / Portalegre. As inscrições para a primeira fase já estão abertas, mas há apenas 15 vagas.

A grande aposta do Politécnico de Portalegre é “capacitar os alunos no domínio das tecnologias modernas de produção e processamento de Cannabis sativa em ambiente controlado”, explicou ao CannaReporter® o Professor José Telo da Gama, do Departamento de Ciências Agrárias e Veterinárias do IPP, coordenador do curso. “A formação vai ser muito focada em aprender ‘em estufa’, com uma componente muito grande de indoor e tocando também no outdoor que, para nós [agrónomos], é muito simples”, referiu. 

O curso irá decorrer na Escola Superior de Biociências de Elvas / Portalegre

De acordo com Telo da Gama, “já havia alguns cursos online nesta área, como o das universidades de Barcelona e de Alicante, mas não havia nada a tocar na parte prática, que é a grande mais-valia deste curso”, afirmou. Este tipo de cultivo é o mesmo com que opera a maior parte das empresas de canábis medicinal, o que apresenta desafios acrescidos. As empresas têm que lidar com vários fatores relevantes, como por exemplo as altas temperaturas que atingem as estufas no verão e no pico do calor – por oposição ao outdoor, que é um ambiente mais natural para a planta, mas menos controlável.

Parcerias com a indústria da canábis medicinal

Para poder proporcionar esta formação prática, o IPP fez várias parcerias com operadores da indústria da canábis medicinal, entre as quais a Medicane (ou MHI Cultivo Medicinal), a GreenBe Pharma, a Ahara, a Key Leaves, a Grovida, a Great Soul Pharma, a Bio Leaf Health, a Canascer e a Belvedere, de forma a que os alunos possam aprender in situ, ganhando conhecimento aplicável posteriormente sobre o cultivo da planta e todos os processos envolvidos (desde a rega, à fitossanidade, certificação, etc.). Estas parcerias estendem-se a outros produtores europeus, que poderão vir a colaborar, acolhendo os formandos nas suas instalações, tanto para aulas práticas como para estágios profissionais.

Para o Professor José Telo da Gama, este curso já vem atrasado. “A pergunta realmente é ‘por que é que não apareceu há mais tempo?’ Tendo em conta que a canábis medicinal já é legal no nosso país desde 2019 e que somos um dos maiores exportadores do mundo, faz todo o sentido”, afirma. “Depois de falar com muita gente acho que, em grande escala, a nível de toda a Europa, não apareceu há mais tempo por causa do preconceito que ainda envolve a planta da canábis”, confessou.

No entanto, o seu interesse pessoal pela planta, a experiência anterior com o Projeto de Criação e Capacitação DEMOLA em 2023, em parceria com a Medicane, e o crescente interesse e necessidade da indústria, que está a enviar os seus funcionários para cursos de agronomia que não têm qualquer formação específica em canábis, são o que “acabou por abrir o caminho”, como conta o professor, para a criação desta formação especializada.

Procura por formação profissional em canábis supera expectativas em Portugal
O enorme número de pedidos de informação que o IPP tem recebido desde que o curso foi anunciado demonstra que há uma grande procura por formação relacionada com a planta da canábis. Mas as vagas, para já, estão limitadas a 15 alunos, devido à questão logística da aprendizagem nas estufas. “A procura tem sido muita, os pedidos têm sido extraordinários, todos os dias há pessoas a pedir informação”, diz o professor Telo da Gama. “Está em cima da mesa ampliar o número de vagas, mas não com efeitos imediatos”, explica.

“Este é apenas o ano zero – uma turma de 15 alunos já é muito boa e o objetivo é mesmo dar uma formação muito prática; depois os alunos se quiserem podem continuar para a licenciatura em agronomia (nível 6) e, mais tarde, poderão prosseguir para um mestrado na área”. O estágio curricular também será facilitado através do IPP graças às parcerias feitas com as empresas sediadas tanto em Portugal como em Espanha – e, eventualmente, noutros países da Europa.

A primeira fase de candidaturas para alunos nacionais e da União Europeia abriu a 12 e Fevereiro e estende-se até 12 de Maio, seguindo-se depois a abertura das inscrições para maiores de 23 anos e alunos internacionais. A seleção dos formandos é feita pelos serviços académicos do IPP, com base nos nas provas de admissão nacionais no ranking de notas, como é habitual.

Toda a informação relativa às inscrições e provas de acesso, assim como o programa completo do curso, podem ser encontrados aqui.

 

Correção:

A pedido do Professor José Telo da Gama, o CannaReporter publica o seguinte esclarecimento:

“No parágrafo onde se refere que ‘o IPP fez várias parcerias com operadores da indústria da canábis medicinal, entre as quais a Medicane (ou MHI Cultivo Medicinal), a GreenBe Pharma, a Ahara, a Key Leaves, a Grovida, a Great Soul Pharma, a Bio Leaf Health, a Canascer e a Belvedere’, cumpre-nos esclarecer que esta formulação pode levar a erro de interpretação pois, na verdade, contamos com um único parceiro principal — a MHI Cultivo Medicinal (Medicane) — única entidade licenciada pelo Infarmed para se poder leccionar  e onde decorrerão todas as aulas práticas em regime de exclusividade. Com alguns dos restantes parceiros mantemos colaborações importantes mas pontuais, como visitas de estudo, workshops ou seminários, e prevemos igualmente a realização de estágios curriculares junto de todos eles.”

Acrescenta-se ainda que a “apresentação oficial do curso [foi] feita no âmbito da IV Conferência do OPCM [Observatório Português da Canábis Medicinal]”, que decorreu em Março deste ano, na Faculdade de Medicina de Coimbra.

[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Margarita é colaboradora permanente do CannaReporter desde a sua criação, em 2017, tendo antes colaborado com outros meios de comunicação especializados em canábis, como a revista Cáñamo (Espanha), a CannaDouro Magazine (Portugal) ou a Cannapress. Fez parte da equipa original da edição da Cânhamo portuguesa, no início dos anos 2000, e da organização da Marcha Global da Marijuana em Portugal entre 2007 e 2009. Recentemente, publicou o livro “Canábis | Maldita e Maravilhosa” (Ed. Oficina do Livro / LeYA, 2024), dedicado a difundir a história da planta, a sua relação ancestral com o Ser Humano como matéria prima, enteógeno e droga recreativa, assim como o potencial infinito que ela guarda em termos medicinais, industriais e ambientais.
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