Luís Albuquerque, da Agrovete, quer produzir sementes de cânhamo em Portugal porque “não há capacidade de resposta para a procura”

Publicado 1 ano ago

em Janeiro 13, 2025

Reading Time: 3 minutes

A industria do cânhamo em Portugal está a crescer. Os projectos em andamento, a crescente área cultivada e os anúncios de novas instalações para a transformação são sinais de que há uma indústria a amadurecer. Porém, esse crescimento traz também novos desafios, nomeadamente na capacidade de Portugal competir e se afirmar em relação à cultura do cânhamo.

Conversámos brevemente com Luís Albuquerque, licenciado em Engenharia Agrícola e responsável de vendas da Agrovete, no World Hemp Forum, em Novembro, em França, que nos facultou a sua breve leitura desta indústria e as perspectivas para Portugal.

Luís Albuquerque, responsável de vendas da Agrovete, no World Hemp Forum, em França. Foto: António João Costa | CannaReporter®

A Agrovete está no sector da canábis e agora o cânhamo também é um sector de interesse para a vossa empresa, não é?

A Agrovete é uma empresa de sementes para a agricultura. De modo geral, está inserida num grupo farmacêutico, liderado pelo Iberfar. Temos um projecto de canábis medicinal, que é produzida numa herdade nossa, e depois transformada nos laboratórios do Iberfar e comercializada pela Ferraz Lynce. Paralelamente a este interesse pela canábis medicinal, logicamente, como somos agricultores e tratamos de sementes, começaram a aparecer as necessidades da cultura do cânhamo e nós fomos acompanhando. Depois chegaram até nós as pessoas da Cânhamor e um projecto que temos com a indústria têxtil, do CITEVE, que faz análise da qualidade das fibras. Nós tratamos da parte agrícola desse projecto. Desenvolvemos os ensaios com a Universidade de Beja e também em Badajoz, por questões de legislação, com o CTAEX, que é da Junta da Extremadura. Conhecemos as pessoas muito bem e temos desenvolvido vários projectos lá. Em Espanha, convidam-nos frequentemente e estivemos presentes no congresso da CTAEX em Badajoz. Ali ficou claro que quem partiu depois de nós já vai muito à frente e essa é a nossa triste realidade em Portugal. Quando soubemos também deste congresso aqui em França, por ser o primeiro, quisemos estar presentes, e foi muito bom. Encontrámos aqui parceiros e fornecedores de sementes, e esperamos desenvolver essas parcerias no futuro.

O cânhamo tem mostrado muito potencial, tanto na parte da construção como na parte da fibra e dos têxteis. Há aqui um mercado que se mostra promissor, mesmo em Portugal, no futuro?Em Portugal temos metade dessa procura e os números que vimos aqui [em França] foram impressionantes. Quer dizer, dobraram em dois anos a produção e esperam dobrar agora outra vez, em mais meia dúzia de anos.

Tive uma reunião com o maior fornecedor de sementes desta cultura e temos esperanças de conseguir multiplicar e produzir sementes de cânhamo em Portugal para os agricultores portugueses e espanhóis. Isto porque haverá este ano, e já no ano passado houve, falta de semente na Europa. Vai haver falta este ano outra vez, porque o fornecedor não está a ter capacidade de resposta para o aumento da procura. Também tem sido notório que já era uma cultura que esteve mais ou menos adormecida durante algum tempo e, portanto, não teve muita investigação. Claro que a procura e a investigação é que fazem desenvolver os projectos e penso que dentro de meia dúzia de anos isto estará numa velocidade cruzeiro.

Com Portugal num papel preponderante?
Julgo que sim, acho que temos lugar.

[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Sou um dos directores do CannaReporter, que fundei em conjunto com a Laura Ramos. Sou natural da inigualável Ilha da Madeira, onde resido actualmente. Enquanto estive em Lisboa na FCUL a estudar Engenharia Física, envolvi-me no panorama nacional do cânhamo e canábis tendo participado em várias associações, algumas das quais, ainda integro. Acompanho a industria mundial e sobretudo os avanços legislativos relativos às diversas utilizações da canábis. Posso ser contactado pelo email joao.costa@cannareporter.cannabud.io
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