África do Sul: Cheeba Cannabis and Hemp Academy lança primeiro curso superior de canábis

Publicado 1 ano ago

em Dezembro 13, 2024

Reading Time: 4 minutes

A empresa sul-africana Cheeba Cannabis and Hemp Academy lançou o primeiro curso superior de canábis do continente africano, totalmente acreditado pelo Council on Higher Education (CHE), o principal órgão regulador de ensino superior da África do Sul, vinculado ao Ministério da Educação. O programa, intitulado Certificado Superior em Produção e Gestão de Canábis (Higher Certificate in Cannabis Production & Management), foi classificado como Nível 5 no National Qualifications Framework (NQF), equivalente a um curso técnico superior.

O curso terá duração de um ano e realiza-se presencialmente no Campus da Cheeba em Joanesburgo. A localização facilita o acesso de estudantes internacionais de outros países da África e do mundo, pois a cosmopolita Joburg, como é chamada localmente, já se destaca como um hub económico e pólo de inovação no continente africano. O currículo foi desenhado com conteúdo teórico e prático que visa equipar os alunos com habilidades técnicas e estratégicas para actuar em toda a cadeia produtiva do mercado da canábis, tanto no sector do uso medicinal como industrial:

  • Canábis medicinal: aplicações clínicas, endocanabinóides e estratégias de dosagem;
  • Técnicas de cultivo: genética de sementes, métodos de cultivo sustentável e práticas avançadas de colheita;
  • Gestão comercial e operações: compliance, estratégias de negócios e manufactura de produtos;
  • Sustentabilidade e inovação: novas práticas agrícolas e impacto ambiental.
Uma das formações da Cheeba na África do Sul. Foto: D.R.

Uma conquista para a educação formal e capacitação

A educação formal é importantíssima para os programas de emprego e desenvolvimento na África do Sul e por isso essa acreditação é um marco para que a escola se firme como uma instituição de ensino superior reconhecida formalmente. Em declarações ao CannaReporter®, o CEO e co-fundador da Cheeba, Trenton Birtch, destacou queforam quatro anos de rigoroso trabalho para alcançar esta acreditação. Este programa estabelece um padrão de excelência na educação sobre canábis e capacita tanto empreendedores quanto trabalhadores para liderarem num dos sectores mais relevantes da actualidade. Estamos comprometidos com a criação de meios de subsistência dignos e sustentáveis, especialmente em comunidades marginalizadas.”

A Cheeba foi fundada em 2020 e tem sido líder na iniciativa da educação formal para o sector da canábis. De formação de pequenos agricultores nas províncias mais rurais à capacitação de budtenders para o mercado recreativo nas grandes cidades, a Cheeba já formou mais de 5.000 alunos. A África do Sul é reconhecida como uma referência global no cultivo de canábis, devido às condições climáticas ideais e também a uma forte tradição de cultivo. Aproveitando essa posição de destaque e um grande número de master growers no país, a Cheeba Cannabis Academy já oferece o Advanced Cultivation Programme, um curso que aborda técnicas avançadas de cultivo, manejo de nutrientes e estratégias para maximizar a qualidade e os rendimentos das colheitas.

Canábis e desenvolvimento contra a pobreza rural

Mas a Cheeba também tem sido um hub de empreendedorismo, principalmente para projectos de canábis ligados à inovação e com impacto social. Embora o campus de Joanesburgo seja o centro do programa, a Cheeba Cannabis and Hemp Academy também está expandindo suas operações para a região rural do Cabo Oriental. Essa região abriga o polígono da canábis na África do Sul e apesar da forte tradição de cultivo de canábis, ainda é marcada pela pobreza e índices de desemprego que chegam aos 40%.  A escola firmou uma parceria com a Township Cannabis Incubator (TCI) para lançar uma unidade na cidade de Mthatha, a capital da província do Cabo Oriental. O principal objectivo do programa será integrar pequenos agricultores e empreendedores das comunidades rurais ao sector formal, promovendo o cultivo sustentável e a produção de cânhamo industrial, num mercado estratégico para projectos de desenvolvimento sustentável em vários países da África Austral, como o Zimbabué, Malawi e Lesotho.

Linda Siboto, co-fundador da Cheeba. Foto: Larissa Barbosa | CannaReporter®

Em Abril de 2024, a África do Sul legalizou o uso, cultivo e porte de canábis e retirou a planta da categoria de narcóticos. Apesar de manter proibida a comercialização da parte da planta com altos índices de THC, o cânhamo foi totalmente legalizado e o cultivo comercial depende apenas de licenças da instituição reguladora local, a Saphra.

Com muita esperança no sector do cânhamo industrial para produção de alimentos, bioplásticos e materiais de construção, essa actuação da Cheeba numa área de pobreza rural e desemprego visa capacitar pequenos agricultores rurais e micro empreendedores locais, promovendo o crescimento económico numa das províncias mais vulneráveis da África do Sul.

Para Linda Siboto, co-fundador da Cheeba nascido em Mthatha, a iniciativa é também uma conquista pessoal: “Trazer educação de classe mundial para a minha terra natal é profundamente significativo. Reflecte o papel da educação no desenvolvimento de uma indústria inclusiva que valoriza as contribuições de agricultores indígenas”, disse ao CannaReporter®.

O curso superior da Cheeba terá um custo total de 84 mil Rands sul-africanos (cerca de 4.466 euros).
Mais informações sobre o Certificado Superior em Produção e Gestão de Canábis (Higher Certificate in Cannabis Production & Management) podem ser encontradas no website da Cheeba.

[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Bacharel em Jornalismo e com um Mestrado em Estudos de Género e Desenvolvimento no Instituto de Pós -Graduação de Estudos Internacionais e Desenvolvimento, de Genebra, Suíça, Larissa Barbosa é uma jornalista brasileira que vive em França. Na sua carreira, escreveu principalmente sobre direitos humanos, desenvolvimento e movimentos sociais. Desde há alguns anos, começou a estudar e a escrever sobre a indústria da canábis e ficou profundamente interessada também no tema dos psicadélicos. Larissa acredita que uma boa comunicação e o jornalismo são centrais para uma melhor compreensão da ciência da canábis e dos psicadélicos, para poder mudar a opinião pública e reduzir o estigma.
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