A primeira mesa de discussão do Fórum Mundial do Cânhamo que se realiza hoje e amanhã em Troyes, França, reuniu a Interchanvre, Federação International das Organizações de Cânhamo e a Hemp-It, moderada por Francesco Mirizzi, da Associação Europeia do Cânhamo Industrial (EIHA). O painel concluiu que a área cultivada irá certamente aumentar, mas com a expansão surgem novos desafios no cultivo. Estes foram identificados e discutidos esta manhã, numa indústria que prevê duplicar a sua dimensão em 5 anos.
O cânhamo está em ascensão, mas com o crescimento surgem novos desafios e oportunidades. Este é o rescaldo da primeira mesa sobre a o cultivo de cânhamo industrial que focou a discussão no desenvolvimento do sector, mas também nos desafios que estão associados a este crescimento. Franck Barbier, da Interchanvre, admitiu que a industria quer continuar a crescer, e assume mesmo que nos próximos 5 anos, a superfície cultivada pode duplicar. O presidente da Interchanvre assumiu que a França é responsável por mais de 20% da produção de cânhamo na Europa, tendo ultrapassado já o Canadá em termos de posição global nos produtores, ocupando de momento a segunda posição em área total cultivada.
Se este crescimento ocorrer, a França consolidará a sua posição dominante, algo que para Christophe Février, representa também desafios que não podem ser ignorados, porque a indústria está a reorganizar-se constantemente durante os últimos 20 anos, e hoje “há inovação que não existia”. O director da Hemp-it acrescentou que hoje é possível criar variedades com outros tipos de mecanismos, como a marcação molecular, mas também apresentar variedaes que apresentem alguns genes dominantes com o intuito de reduzir a variabilidade dos cultivos.
A mesa concluiu que a indústria “já investiu, mas há mais a investir”, e que tendo em conta o potencial aumento da área cultivada, é necessário estruturar e reorganizar a transformação de forma a
ser capaz de lidar com o aumento, pois os custos do equipamento podem somar-se de forma algo rápida, e porque “os agricultores sem fábricas, e fábricas sem agricultores são uma realidade indesejável”, completou Rachele Invernizzi, da Federação International das Organizações de Cânhamo.
Além da necessidade de reorganização, a mesa também discutiu a necessidade de desenvolver novas variedades que ajudem a competir num ambiente com mudanças climáticas, tendo sido esclarecido pelo presidente da Interchanvre que o cânhamo é verdadeiramente um sequestrador de carbono, com uma performance de 50 toneladas de dióxido de carbono sequestrados por cada hectar cultivado, mas adicionalmente, quando cultivado no verão, o cânhamo tem um grande impacto, pois as raizes são tão profundas quanto a planta, permitindo a abertura e penetração no solo, promovendo a oxigenação e regeneração do solo. Este efeito, é especialmente especial pois pode trazer um benefício e ser responsável por 80% do rendimento das culturas subsequentes.