Brasil: ExpoCannabis reúne indústria em São Paulo e celebra autorização do cultivo de cânhamo para uso medicinal

Publicado 1 ano ago

em Novembro 15, 2024

Reading Time: 3 minutes

Desde o início desta semana, centenas de empresas, nacionais e internacionais, preparam-se para abrir as portas da ExpoCannabis Brasil 2024, que se inicia hoje, 15 de Novembro, e promete ser o maior evento canábico da América Latina, aguardando cerca de 40.000 visitantes. Nas vésperas da abertura, uma decisão histórica veio como a cereja no topo do bolo: o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou o cultivo de cânhamo para fins medicinais e industriais no Brasil. A decisão aplica-se exclusivamente a empresas e não menciona o cultivo doméstico ou para uso recreativo.

A decisão do STJ permite, pela primeira vez, que as empresas obtenham autorização sanitária para importar sementes e cultivar variedades de cânhamo para fins medicinais e industriais. O governo federal e a Anvisa, agência reguladora de medicamentos no Brasil, têm agora um prazo de seis meses para definir a regulamentação que finalmente viabilizará o tão  sonhado cultivo de cânhamo no Brasil. Até então, a regulamentação permitia apenas a importação de canabidiol (CBD) por pacientes com receita médica.

A decisão do STJ foca na autorização sanitária para a importação e cultivo de variedades de canábis com valores residuais de THC e concentrações controladas das substâncias terapêuticas, como o CBD. 

Apesar dos limites, essa decisão representa uma mudança radical para o país. A produção nacional poderá reduzir custos, ampliar o acesso a tratamentos e impulsionar o desenvolvimento de novas tecnologias no sector canábico brasileiro. Além disso, investidores internacionais podem agora ver o Brasil como um mercado emergente com potencial de se tornar uma força no mercado global de canábis medicinal e industrial, inclusive com produção de têxteis e materiais de construção.

É importante observar, no entanto, que a decisão do STJ se aplica exclusivamente a empresas. A decisão não aborda o plantio para uso recreativo e o cultivo caseiro para fins pessoais foi descriminalizado pela Suprema Corte em Abril de 2024.

O STJ também estabeleceu que a regulamentação deve incluir medidas rigorosas para evitar o desvio e o uso indevido das sementes e plantas. Entre as normas previstas estão a rastreabilidade genética, restrições de cultivo a áreas específicas ou ambientes controlados, limitação da produção nacional e exigências rigorosas para as empresas que desejam operar no sector, como registo prévio, regularidade fiscal e trabalhista.

ExpoCannabis Brasil 2024 promete ser um dos maiores eventos canábicos do mundo

Com mais de 300 expositores, a ExpoCannabis Brasil já era aguardada como o maior evento de canábis da América Latina. Com essa nova decisão judicial que autoriza o cultivo do cânhamo, a feira tem tudo para se posicionar como ponto de partida para o futuro da indústria da canábis no Brasil e um marco no posicionamento do país como líder no cenário latino-americano. 

A primeira edição, realizada em 2023, reuniu cerca de 20 mil visitantes e 150 expositores, impressionando pela organização e interacção num país onde o processo de legalização é um dos mais complexos, devido às  mobilizações populares e empresariais e à enorme resistência das instâncias decisórias. 

Este ano, a ExpoCannabis tem 300 expositores nacionais e internacionais e espera receber mais de 40 mil visitantes. Entre os expositores, estão grandes nomes, como a pioneira Greenhouse Seeds Co. de Amsterdão, o que  coloca a Expocannabis Brasil no mapa dos eventos globais de canábis.

Carbono Zero e Programação Cultural

Para 2024, a ExpoCannabis Brasil inova ao adoptar uma política de sustentabilidade, com o compromisso de ser um evento carbono zero. Todas as emissões geradas pela feira serão compensadas através de práticas ecológicas, como a doação de alimentos, iniciativas de reciclagem e gestão eficiente de resíduos. “A ExpoCannabis vai além de um simples evento de negócios; é um compromisso com o futuro da canábis e com o planeta,” afirma Larissa Uchida, CEO da ExpoCannabis Brasil.

O evento também trará uma programação intensa. Além das palestras, que inclui convidados internacionais como Mila Jansen, conhecida como a “Rainha do Hash”, o evento contará com uma consultoria jurídica para orientar empreendedores do sector, uma exposição fotográfica exclusiva sobre as Montanhas do Rif, em Marrocos — região famosa pela cultura da canábis — e uma programação cultural extensa com ícones da cena canábica, além de after parties com músicos nacionais e até o artista e músico britânico Horace Andy.

Crescimento do mercado, apesar das proibições

Para se ter uma idéia do peso do evento deste ano, ao longo de todo o mês de Novembro acontecem em São Paulo inúmeros eventos mais pequenos de networking e empreendedorismo, sempre relacionados com a canábis. Um desses eventos menores foi o lançamento do Anuário de Mercado 2024, publicada pela Kaya Mind, uma empresa que faz pesquisas de mercado especificamente para o sector da canábis no Brasil. De acordo com o anuário, considerando as regulamentações restritivas e as proibições brasileiras, o Brasil já conta com 1.092 empresas de canábis até hoje, o que corresponde a um aumento de 34% em relação a 2023. Chama a atenção o sector de acessórios de tabacaria e o grande número de abertura de headshops, um modelo de negócio preferido da pré-legalização. Segundo o anuário, o potencial do mercado de seda (ou rolling paper, conhecido em Portugal como ‘mortalhas’) foi de 50 milhões de dólares.

Com toda essa organização, a ExpoCannabis Brasil 2024 destaca-se não só pela grandiosidade, mas promete ser uma edição histórica, marcando um novo capítulo na história da canábis no Brasil e em toda a América Latina. Arranca hoje e mantém-se todo o fim-de-semana, até Domingo, dia 17 de Novembro.

[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Bacharel em Jornalismo e com um Mestrado em Estudos de Género e Desenvolvimento no Instituto de Pós -Graduação de Estudos Internacionais e Desenvolvimento, de Genebra, Suíça, Larissa Barbosa é uma jornalista brasileira que vive em França. Na sua carreira, escreveu principalmente sobre direitos humanos, desenvolvimento e movimentos sociais. Desde há alguns anos, começou a estudar e a escrever sobre a indústria da canábis e ficou profundamente interessada também no tema dos psicadélicos. Larissa acredita que uma boa comunicação e o jornalismo são centrais para uma melhor compreensão da ciência da canábis e dos psicadélicos, para poder mudar a opinião pública e reduzir o estigma.
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