A legalização da canábis na Alemanha vista pelos olhos do hacker que criou um mapa essencial

Publicado 2 anos ago

em Abril 1, 2024

Reading Time: 4 minutes

Um hacker de Koblenz, uma cidade do estado da Renânia-Palatinado, criou um mapa com os locais onde, a partir de hoje, dia 1 de Abril de 2024, é legal consumir canábis na Alemanha. O CannaReporter falou com o programador que desenvolveu o “BubatzKarte“, onde se assinalam a vermelho, por toda a Alemanha, as zonas proibidas, por estarem próximas a edifícios como escolas, hospitais ou parques infantis. Johannes (nome fictício, pois prefere manter o anonimato) disse que “programar e criar este mapa foi um desafio interessante”. Além do mapa, o hacker partilhou connosco a sua visão sobre a legalização: “As leis anti-drogas são degradantes e enfraquecedoras e não têm lugar numa sociedade livre. O consumo  problemático de canábis é um problema de saúde que requer ajuda médica, não policial”.

Johannes é “apenas uma pessoa que mora em Koblenz”, na Alemanha, e que gostaria de manter a sua privacidade. “Sou apenas um hacker que adora software livre, adoro programar e criar este mapa foi um desafio interessante”, afirmou ao CannaReporter.

O mapa foi criado nos tempos livres de Johannes, que quis perceber exactamente quais as distâncias mencionadas na lei e o que isso significaria. “Nunca tinha criado um mapa assim, por isso acabou por ser um projecto interessante. Além disso, na época em que o criei, ainda não existia nenhum outro mapa, algo que agora já mudou. Os nossos cérebros estão fortemente programados para o reconhecimento visual e as visualizações são uma opção natural para
representação de dados. Para este tipo de dados, um mapa é a primeira escolha. Então, quem quiser entender facilmente estas regras, acabará criando um mapa”.

As distâncias para proibição do consumo de canábis em espaços públicos são visualizadas a vermelho, mas o seu programador deixa um aviso: “O mapa Bubatz é baseado em dados públicos do OpenStreetMap e pode estar incompleto. Todos são responsáveis ​​pelas suas próprias acções”, ressalva.

O BubatzKarte mostra as zonas onde se pode consumir canábis legalmente a partir de hoje, 1 de Abril de 2024, na Alemanha. A vermelho assinalam-se as zonas proibidas, por estarem próximas a edifícios como escolas, hospitais ou parques infantis.

Desde que a lei foi aprovada no Bundestag, o número de utilizadores diários do BubatzKarte tem vindo a aumentar, de “vários milhares para 50.000 a 100.000 utilizadores por dia”. Johannes afirma que isso é algo que não está a medir constantemente, mas sobre o qual fez um post no Fediverse.

“As leis anti-drogas são degradantes e enfraquecedoras e não têm lugar numa sociedade livre”

O hacker alemão diz que esta é “pelo menos uma maneira de ver se algum local relevante conhecido está a uma distância de 100 metros, mas com a lei, esta não é a informação mais adequada e exacta.
A lei menciona “Sichtweite” (que em Português significa visibilidade) antes dos 100 metros, por isso é relevante, se se puder ser visto do parque infantil, por exemplo. Se houver um prédio entre si e uma escola, os 100 metros são irrelevantes, pois a pessoa não pode ser vista de qualquer maneira.
Isto limita a utilidade do mapa, mas ainda assim é útil ter uma ideia do que observar e ter em conta”.

Johannes garante que tenta manter o mapa actualizado e que pretende avançar para que seja mais inclusivo. “Recentemente, introduzi recursos para as pessoas que têm dificuldade em ver as cores. O mapa é actualmente inútil para as pessoas cegas ou que não conseguem ver e isso é algo que eu gostaria de melhorar, se puder, de alguma forma. Existem muitas ideias interessantes, mas ainda sou apenas uma pessoa que faz isto no seu tempo livre e acho que gostaria de continuar assim”, reforça.

O BubatzKarte não rastreia os utilizadores, não partilha nenhuma informação com parceiros publicitários, pois não tem publicidade, e não inclui banners de privacidade ou de cookies. Johannes explica porquê: “Essas são coisas irritantes que não gosto na web moderna. O mapa foi criado comigo próprio em mente enquanto utilizador, então por que deveria permitir algo que me incomodasse?”, questiona. O código de frontend foi lançado como software livre, então qualquer um pode ajudar a melhorá-lo, se estiver interessado, através deste link.

“O consumo problemático de canábis é um problema de saúde que requer ajuda médica, não policial”

Sobre a chamada ‘legalização’ que Johannes vê antes de mais como “uma descriminalização, pois legaliza possuir e produzir canábis, mas não lojas comerciais” o hacker acredita ser uma boa maneira de começar, pois as pessoas não devem ser encorajadas a utilizar canábis: “A publicidade é proibida e as únicas formas legais de obter canábis serão como um medicamento, cultivar em casa ou juntos num clube. Penso que esta é uma boa forma, pois ninguém deve ser encorajado a consumir canábis, apenas para encher os bolsos de alguns investidores. A proibição da publicidade é algo que nós, como sociedade, deveríamos estabelecer também para o tabaco e as bebidas alcoólicas. As máquinas de venda automática de cigarros deveriam ser abolidas, pois dificultam muito a vida das pessoas que querem deixar de fumar, uma vez que o tabaco é facilmente obtido em qualquer esquina”.

Johannes (nome fictício), que criou o mapa BubatzKarte, diz que é “apenas uma pessoa que mora em Koblenz e um hacker que adora software livre”

Johannes também vê vantagens na nova lei no que respeita ao uso medicinal. “A nova lei também facilita a obtenção de receitas de canábis, uma vez que já não é precisa uma prescrição de ‘narcóticos’. Uma receita normal será suficiente, o que espero que ajude os pacientes a terem acesso à canábis como medicamento”.

A história de alguém próximo, que que teve problemas com as autoridades por causa da canábis, alertou Johannes para os problemas que muitos pacientes enfrentam todos os dias. “Conheci pessoalmente alguém com uma doença terminal, que teve problemas com a Justiça porque demorou algum tempo a obter uma receita. A pessoa não pôde comparecer à audiência em tribunal, pois estava ocupada a morrer, então pelo menos foi poupada disso”.

Johannes realça, por fim, que espera também que “a polícia da Baviera deixe de incomodar os consumidores de canábis”. Os oficiais da Baviera são conhecidos por serem “muito repressivos” no que à canábis diz respeito. “As leis anti-drogas são degradantes e enfraquecedoras e não têm lugar numa sociedade livre. O consumo problemático de canábis é um problema de saúde e requer ajuda médica, não policial”, termina Johannes.

Quem quiser conectar-se com o programador do mapa pode fazê-lo através de e-mail: bubatzkarte@kowelenz.social

[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Vencedora dos Prémios Business of Cannabis na categoria “Jornalista do Ano 2024”, Laura foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação do 21º Governo Português. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “Say What? Lisbon” @saywhatlisbon. Co-fundadora e Editora do CannaReporter® e coordenadora da PTMC – Portugal Medical Cannabis, Laura realizou o documentário “Pacientes” e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.
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