Portugal: Maioria dos processos de contra-ordenação são por posse de canábis

Publicado 3 anos ago

em Dezembro 15, 2022

Reading Time: 6 minutes

Dos 6378 processos de contra-ordenação instaurados em 2021 por consumo de substâncias em Portugal e 6019 indivíduos indiciados, 4807 foram por posse de canábis, 707 por cocaína, 367 por heroína, 25 por ecstasy e apenas 5 por outras drogas. Os dados foram divulgados pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), no Relatório Anual sobre a Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependência em 2021” (RADT2021), que foi apresentado na Assembleia da República Portuguesa, no passado dia 7 de Dezembro. Durante o ano de 2021 foram apreendidas 26.526 plantas de canábis em Portugal, o valor mais alto desde 2010.

Os dados revelam ainda que, do total de indivíduos indiciados nos processos de contra-ordenação, 86% tinha um perfil de consumo “não toxicodependente”. “A canábis, a cocaína e o ecstasy foram as substâncias ilícitas com as maiores prevalências de consumo, embora as duas últimas muito aquém da canábis”, refere o relatório. No entanto, “Portugal continua a surgir abaixo dos valores médios europeus nas prevalências de consumo recente de canábis, de cocaína e de ecstasy (e ainda mais quando se trata da população de 15-34 anos), as três substâncias ilícitas com maiores prevalências de consumo em Portugal”.

De acordo com o relatório, “em 2021 foram abertos 6 378 processos de contra-ordenação por consumo de drogas relativos às ocorrências no ano, um aumento de 4% face a 2020 e uma diminuição de -48% em relação a 2017, ano com o valor mais elevado desde 2001. Apesar das descidas já verificadas em 2018 e 2019, os valores de 2020 e 2021 foram os mais baixos desde 2007, muito provavelmente relacionado com a pandemia e seus reflexos nos consumos e nas intervenções no âmbito da dissuasão. Tal como nos sete anos anteriores, em 2021 foi a GNR quem remeteu mais ocorrências para as CDT – Comissões de Dissuasão da Toxicodependência. 78% dos processos de 2021 tinham decisão proferida, uma proporção superior à de 2020 embora ainda aquém às dos anos pré-pandemia. Uma vez mais predominaram as suspensões provisórias dos processos de consumidores não toxicodependentes (67%), seguidas das decisões punitivas (21%) e das suspensões provisórias dos processos de consumidores toxicodependentes que aceitaram tratamento (11%). Em 2020 e 2021, as proporções deste último tipo de decisões foram as mais elevadas dos últimos sete anos”.

Tal como nos anos anteriores, a maioria dos processos estavam relacionados com a canábis (75% só canábis e 3% canábis com outras drogas), seguindo-se a cocaína, o que é consistente com os estudos nacionais sobre o consumo de drogas. Em 2021, aumentaram os processos de cocaína (o valor mais elevado de sempre), bem como os de heroína e os que envolviam várias drogas. O número de processos de canábis manteve-se estável e diminuíram os processos relacionados com ecstasy.

Em comparação com os resultados europeus, os consumidores portugueses mencionaram mais ter havido alterações nos consumos com a pandemia e estas foram tendencialmente mais no sentido de redução dos consumos do que as alterações referidas pelo conjunto dos europeus.

As prevalências de consumo de qualquer droga, que vinham a aumentar desde 2015 (embora já estáveis entre 2018 e 2019), decresceram em 2021. Estas variações refletem sobretudo o consumo de canábis, uma vez que as prevalências do consumo de outras drogas que não canábis não têm sofrido alterações relevantes. Quanto a consumos actuais mais intensivos, 4% dos inquiridos (25% dos consumidores) tinha um consumo diário de canábis, proporções próximas às dos anos anteriores. Os consumos continuam a ser mais expressivos nos rapazes do que nas raparigas.

“De um modo geral, a população de 15-34 anos apresentou consumos recentes mais altos do que a de 15-74 anos. Quanto a consumos recentes mais intensivos de canábis, 3% dos inquiridos (64% dos consumidores) consumiu 4 ou mais vezes por semana nos últimos 12 meses, e 2% (55% dos consumidores) todos os dias. 3% dos inquiridos (69% dos consumidores) tinha um consumo diário/quase diário nos últimos 30 dias. Em relação a padrões de consumo abusivo e dependência de canábis, em 2016/17 cerca de 0,7% da população de 15-74 anos tinha um consumo de risco elevado (0,4%) ou de risco moderado (0,3%), quase duplicando o valor correspondente (1,2%) nos 15-34 anos (0,6% com consumo de risco elevado e 0,6% de risco moderado) (CAST). Tal também sucede nos resultados de outro teste (SDS), em que 0,8% da população de 15-74 anos apresentava sintomas de dependência do consumo de canábis, sendo a proporção correspondente nos 15-34 anos de 1,4% (19% dos consumidores recentes)”, diz o estudo.

Cocaína, opiáceos, benzodiazepinas e álcool são os que mais matam em Portugal
Dos 413 óbitos com substâncias ilícitas/metabolitos e informação da causa de morte, 74 (18%) foram overdoses, que aumentaram 45% face a 2020, representando o valor mais elevado desde 2009. Os valores registados nos últimos quatro anos de overdoses com cocaína e de overdoses com opiáceos foram os mais altos desde 2011. Na grande maioria das overdoses (84%) havia mais do que uma substância, destacando-se, associadas às drogas ilícitas, as benzodiazepinas (58%) e o álcool (22%). É importante realçar que no que toca aos dados relativos a mortes por overdose onde foi detectada canábis, em todas elas existia sempre a presença de outras substâncias, tais como o álcool e opiáceos.

Apesar de o maior número de mortes por overdose estar ligado ao consumo de outras drogas, a substância mais apreendida foi o haxixe, com um total de 1.081 apreensões, que totalizaram 14.821,122 gramas apreendidas, seguido da cocaína com 513 casos de apreensões e um total de 9.916,244 gramas, e das flores de canábis, com 449 apreensões e um total de 1.289,239 gramas. Houve também 216 apreensões de plantas de canábis, que resultou num total de 26.526 plantas de canábis apreendidas em Portugal durante o ano de 2021.

Segundo os dados apresentados no relatório, houve um aumento significativo no que toca às quantidades de flores de canábis apreendidas em 2021, o valor mais alto desde 2010, e uma descida nas quantidades relativas ao haxixe, apesar de ser 2021 ter tido o segundo maior número em termos de quantidades apreendidas desde 2015, houve uma diminuição face a 2020, ano que até agora é considerado o ano com mais apreensões de haxixe na última década.

Em relação às apreensões de plantas, houve uma diminuição de cerca de 8% face a 2020, no entanto, apesar da descida no número de apreensões, a quantidade de plantas apreendidas aumentou significativamente, mas isso também se deve ao desmantelamento de cinco plantações ilegais de dimensão considerada industrial, ou seja, com 1 000 ou mais plantas, e que correspondem a cerca de 74% das plantas apreendidas. Apesar disso, a maioria das apreensões de plantas continua a ser de pequena dimensão e para efeitos de consumo interno, segundo consta o relatório.

É preciso ter em atenção que os valores apresentados no relatório do SICAD não integram os dados da PSP desde 2017, o que poderá não corresponder à real totalidade das substâncias apreendidas – que serão certamente maiores do que as descritas no relatório.

O relatório do SICAD também indica que, em 2021, ocorreu a primeira apreensão de MDMB-4-en-PINACA, que se trata de um canabinóide sintético, e de 4-CMC e de alfa-PHP, ambas substâncias estimulantes.

O relatório anual do SICAD tem como objectivo de dar a conhecer a situação em Portugal no que toca ao consumo de drogas e toxicodependência, desde as substâncias mais consumidas, ao número de mortes causadas por overdose, assim como dados relativos ao número de internamentos relacionados com o consumo e também dados sobre o número de apreensões realizadas pelas autoridades, entre outros dados ligados ao consumo de drogas.

O relatório e as tabelas de anexo podem ser consultado usando os links abaixo:

Relatório Anual 2021 – A Situação Do País Em Matéria De Drogas E Toxicodependências

ANEXO – Relatório Anual 2021 – A Situação Do País Em Matéria De Drogas E Toxicodependências

[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

O que fazes com 3€ por mês? Torna-te um dos nossos Patronos! Se acreditas que o Jornalismo independente sobre canábis é necessário, subscreve um dos níveis da nossa conta no Patreon e terás acesso a brindes únicos e conteúdos exclusivos. Se formos muitos, com pouco fazemos a diferença!

Mais Recentes

Análise

Dezembro 4, 2025

A Península Ibérica enfrenta desafios estratégicos como principal polo industrial de canábis da Europa

Ciência, Cultivo, Entrevistas, Internacional, Notícias, Politica, Sociedade

Dezembro 3, 2025

Beatriz Emygdio: “O Brasil tem condições de ser protagonista global no sector da canábis”

Ciência, Internacional, Notícias, Saúde

Dezembro 2, 2025

Canabinóides oferecem nova esperança no combate ao cancro do colo do útero

PUBLICIDADE

Dezembro 2, 2025

Vaporizadores medicinais com certificação da UE chegam ao mercado: estabelecendo um novo padrão regulamentar

Ciência, Internacional, Investigação, Notícias, Saúde, Sociedade

Novembro 29, 2025

EUA: Ensaio clínico recria experiência da vida real e reitera que o uso de canábis reduz o consumo de álcool

Opinião

Novembro 28, 2025

O persistente desacato português às decisões europeias sobre o cânhamo industrial

Nacional, Notícias

Novembro 27, 2025

Portugal: Autoridade Tributária e Aduaneira proíbe comercialização de CBD e THC em produtos de tabaco

Ciência, Internacional, Investigação, Notícias

Novembro 26, 2025

Teste de reflectância hiperespectral consegue prever o teor de canabinóides a partir das folhas da canábis

Relacionadas

Análise

Dezembro 4, 2025

A Península Ibérica enfrenta desafios estratégicos como principal polo industrial de canábis da Europa

Ciência, Cultivo, Entrevistas, Internacional, Notícias, Politica, Sociedade

Dezembro 3, 2025

Beatriz Emygdio: “O Brasil tem condições de ser protagonista global no sector da canábis”

Ciência, Internacional, Notícias, Saúde

Dezembro 2, 2025

Canabinóides oferecem nova esperança no combate ao cancro do colo do útero

PUBLICIDADE

Dezembro 2, 2025

Vaporizadores medicinais com certificação da UE chegam ao mercado: estabelecendo um novo padrão regulamentar

Ciência, Internacional, Investigação, Notícias, Saúde, Sociedade

Novembro 29, 2025

EUA: Ensaio clínico recria experiência da vida real e reitera que o uso de canábis reduz o consumo de álcool

Opinião

Novembro 28, 2025

O persistente desacato português às decisões europeias sobre o cânhamo industrial