O Comando Territorial da G.N.R. (Guarda Nacional Republicana) da Madeira, através da Secção de Investigação Criminal, deteve ontem, dia 14 de Setembro, no concelho do Funchal, um homem de 57 anos por tráfico de estupefacientes. Tinha 8 plantas de canábis.
No seguimento de uma acção de fiscalização, os militares Guarda detectaram uma plantação de canábis numa residência e nos seus terrenos contíguos. No decurso das diligências policiais realizou-se uma busca domiciliária, resultando na apreensão do seguinte material:
- Oito plantas de canábis;
- Sumidades em processo de secagem.
O detido foi constituído arguido e os factos comunicados ao Tribunal Judicial Funchal.
Cânhamo ou canábis?
Uma análise mais cuidada das fotos do material apreendido coloca dúvidas sobre se o que foi apreendido poderá ser cânhamo (e não necessariamente canábis), uma vez que é possível identificar plantas macho no material apreendido.

Para quem está familiarizado com o cultivo de canábis, sabe que apenas as plantas fêmeas têm valor no que toca a produção de flores com fins de consumo humano, especialmente no mercado ilícito. Caso as flores sejam polinizadas, o que leva à gestação de sementes, isso diminuirá tanto a qualidade da flor em si como o desenvolvimento das mesmas, ficando muito aquém do que poderiam vir a ser caso nunca tivessem sido polinizadas.
Recorde-se que a G.N.R. já admitiu ao Cannareporter, no passado, não conseguir distinguir cânhamo de canábis.
Portugal descriminalizou a posse e o consumo de todas as drogas em 2001, mas a compra, a venda e o cultivo de canábis continuam a ser punidos por lei, com centenas de detenções por consumo de pequenas quantidades a acabar como processos nos tribunais por “tráfico de estupefacientes”. Raramente os detidos são, efectivamente, presos, sendo libertados depois de presentes a um Juiz, o que representa custos administrativos elevados para o Estado. A G.N.R. efectua detenções por posse ou cultivo de canábis em Portugal praticamente todos os dias.