“Pretendo declarar-me culpada de todas as acusações”. Foi assim que Brittney Griner, duas vezes campeã olímpica, se confessou hoje ao Tribunal onde foi ouvida, na Rússia. A basquetebolista norte-americana, de 31 anos, foi detida em Fevereiro, no aeroporto de Moscovo, por posse de óleo de canábis. A jogadora salientou que nunca teve “intenção de violar as leis russas” e explicou que foi o seu descuido e pressa ao fazer as malas que provocaram a situação. “Fiz as malas de forma apressada e as embalagens acabaram por ir parar, acidentalmente, à minha bolsa”, disse a atleta, que arrisca 10 anos de prisão.

Brittney foi detida em Fevereiro de 2022, quando os agentes do aeroporto de Sheremetyevo, em Moscovo, encontraram cartuchos para vaporizador com óleo de canábis na sua mala. De acordo com a BBC, Griner tinha ido à Rússia jogar fora da época, algo que fazia como um “2º trabalho”, para ganhar mais algum dinheiro. Segundo a BBC, na Rússia as jogadoras de Basquete podem ganhar três vezes mais que nos EUA. Brittney é assumidamente gay e foi, aliás, a primeira jogadora assumida da WNBA a receber um patrocínio da Nike.
Numa carta divulgada pela sua família no Dia da Independência nos EUA, 4 de Julho, Griner confessou o medo que tinha a Biden: “Sentada aqui numa prisão russa, sozinha com os meus pensamentos e sem a protecção da minha esposa, família, amigos, camisola olímpica ou qualquer outra coisa que conquistei, estou aterrorizada com o pensamento de ficar aqui para sempre”, escreveu a bicampeã olímpica de basquetebol. “Sei muito bem que tem de lidar com muitas coisas, mas por favor, não se esqueça de mim e dos outros prisioneiros americanos. Por favor, faça tudo o que puder para nos levar para casa”, apelou Brittney.
O caso já levou a incidentes diplomáticos entre a Rússia e os Estados Unidos, com o Kremlin a negar que não tem nenhum refém dos EUA, criticando o “ruído mediático” à volta de Griner. Sergei Riabkov, vice-ministro das Relações Externas, advertiu que o “exagero público” dos norte-americanos não ajuda na negociação para a eventual troca de prisioneiros entre Moscovo e Washington. ”
“Por que deveríamos fazer uma excepção para um cidadão estrangeiro? [Griner é como] centenas e centenas de cidadãos russos, que foram condenados por transportar haxixe” – Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, à NBC
“Não podemos chamá-la de refém. Ela violou a lei russa e agora está a ser processada”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à NBC. “Por que deveríamos fazer uma excepção para um cidadão estrangeiro? [Griner é como] centenas e centenas de cidadãos russos, que foram condenados por transportar haxixe”.
Brittney Griner está em prisão preventiva desde Fevereiro de 2022 e voltará a comparecer em tribunal no próximo dia 14 de Julho.